quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
A DOR (AUGUSTO DOS ANJOS)
E todo mundo que por ela passa
Há de beber a taça da cicuta
E há de beber até o fim da taça!
Há de beber, enxuto o olhar, enxuta
A face, e o travo há de sentir, e a ameaça
Amarga dessa desgraçada fruta
Que é a fruta amargosa da Desgraça!
E quando o mundo todo paralisa
E quando a multidão toda agoniza,
Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno
De agonizante multidão rodeada,
Derrama em cada boca envenenada
Mais uma gota do fatal veneno!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera
Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!
AUGUSTO DOS ANJOS.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
CONFISSÃO - Por C. Bukowski

CONFISSÃO
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Se for tentar...
Se você for tentar, vá até o fim
Senão, nem comece.
Se você for tentar, vá até o fim.
Isso pode significar perder namoradas, esposas, parentes, empregos e talvez sua cabeça.
Vá até o fim. isso pode ser não comer por 3 ou 4 dias.
Pode ser congelar em um banco de praça.
Pode ser cadeia; Pode ser o ridículo, chacota, isolamento.
Isolamento é benção.
Todo resto é um teste na sua Resistência, de quando você realmente quer fazer aquilo.
E você vai fazer
Independente da rejeição e das piores dificuldades.
E será melhor do que qualquer outra coisa que você possa imaginar.
Se você for tentar, Vá até o fim.
Não existe outra coisa que vá te fazer sentir Isso.
Você estará sozinho com os Deuses e as noites se inflamarão em chamas.
Faça. Faça. Faça. Faça.
Até o fim. Até o fim. Você guiará sua vida direto para o riso perfeito.
É a única boa briga Que existe.
Charles Bukowski
terça-feira, 8 de abril de 2008
PROMETEU ACORRENTADO

E não foi outro, senão tu, ó prometeu!
Que atreveste a dar-nos o que com as mãos,
Com certeza, não tocaríamos, pois éramos sãos.
Mas em tua loucura fazemos orgias num altar teu.
De tuas dores compadecem todos os mortais.
Teus gemidos são sentidos nos corações de todos.
E até Oceano emergiu dos mares abismais,
Para agraciar um amigo com fraternos consolos
É verdade que teus presentes nos são muito favoráveis,
Mas a desgraça que o abate no alto deste monte,
Não é apaziguado nem pelos apelos mais amáveis,
Nem pelos prantos de camaradas que estão longe.
Mesmo com tantas súplicas ao teu poderoso amo,
O seu servo prossegue inconsolável no teu sofrer.
Sofre Io, e padece até mesmo o mandatário Vulcano,
Pois aqui ainda conservar-se a tua vida a perder!
Júpiter alcançou a sua perversidade máxima,
Reinando tirânico em teu olímpico átrio
Depositando um par neste cativo calvário,
Que cruel pai! Que regência Malíssima!

